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Polonos-brasileiros revelam impressões de sua alma

A águia branca abriu suas asas durante reunião de 15 de abril de 2011, desvelando a alma da Polônia que mora entre os sãomateuenses.

“Nenhuma força destrói um povo quando há cultura, fé e patriotismo”. Esta foi uma das afirmações da noite de 15 de abril, dita por Romualdo Budzinski, o “Cíntio”. O encontro foi promovido pela Arte Editora, na sede da ACIASMS, sobre o tema “O que é ser um polono-brasileiro na atualidade?”. As principais impressões serão publicadas na obra São Mateus do Sul 100 Anos, da mesma editora.


Simone Toporowicz afirmou que a partir do contato maior com a cultura dos poloneses, em conversas com seus pais percebeu a diferença do que é conhecer o seu passado. “Sinto um orgulho muito grande!”

Participando da Braspol desde sua fundação, Terezinha Wieczorkoski agradeceu a coragem do bisavô em atravessar o oceano. E desabafou: “Éramos humilhados. Achavam que éramos um povo bruto, sem coração, mas eu nunca senti vergonha de minha origem”. Lembrando das dificuldades do início da colonização, Cíntio contou que sua mãe foi conhecer arroz quando era moça. “Porque só tinha quirera”.


Já o presidente do Cepom, José Carlos Janowski, lembrou a afirmação de seu pai, Marcelo Janowski: “Não esqueça das crianças”. E destacou a resistência dos poloneses, comparando-os com o símbolo da Polônia – a águia, “uma ave que vive mais de 100 anos!”


Segundo Adelaide Kotrich, logo que aprendeu a rezar em polonês começou a “puxar os cordões”. Lembra dos cruzeiros que existiam em frente ao Toporowicz e aos Pageski. “Ficou tanto movimento que eles vinham de outras colônias”.

Sandro Zimny Vitonski, estudante de polonês e divulgador da cultura, comenta que “uma vez agrupado é mais fácil conseguir as coisas”. Para ele, há uma busca constante dos polono-brasileiros de se resgatar a identidade perante a sociedade. “Todos que se envolvem com a cultura polonesa vêem esse orgulho”, diz “E é desse orgulho que estamos compartilhando hoje”.

Celebrando a música


Em 1971, quando houve a comemoração do centenário da imigração polonesa no Paraná, realizou-se no Clube Unbenau o primeiro baile do imigrante. “E o colono polonês, com a mão calejada, tocando clarineta, violino e rabecão”, surpreendeu-se Francisco Caminski, um dos organizadores do evento. “Ali se viu: a música dos poloneses despertou a comunidade”, disse. “Não foi só a tradição que foi resgatada, foi a auto-estima.”


Raízes polonesas de pai e mãe despertam no radialista Carlos Karpinski o sonho de conhecer o país de origem de sua família. Filho do músico Henrique Karpinski, este tocava nas rádios ao vivo, e entre os músicos o tio Marcelo Janowski. “Não tinha aparelhagem, era só no instrumento”. Ele recorda os bailes poloneses, quando alguém passava nas casas de bicicleta, convidando as famílias. “E à noite o caminhão do Bizinelli chegava para dar carona; e levava de volta!”.

A música folclórica da Polônia foi objeto de pesquisa em São Mateus do Sul, de um grupo de musicólogos poloneses, conforme destaca Írio Janoski, presidente do Grupo Karolinka. “Canções de ninar, de casamento, religiosas. Vieram resgatar a cultura que na Polônia foi perdida”.

O ser humano João Paulo II


“Sinto orgulho de ser polono-sãomateuense”, afirmou a escritora Ana Márcia Kotrich. “Tenho um lado bugre e um lado polaco”. Ouvia as bapkas contarem histórias em polonês, e disse que nunca teve vergonha de ser polaca. E declarou: “As guerras, as marcas, estão em nossos bisavós. Mas, como presente, recebemos o Papa João Paulo II. A presença, o ser humano – isso representou para nós muito – ressuscitou nossa história.”


Um visitante especial compareceu ao evento – Padre Anderson Spegiorin, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Rio Claro, Mallet. Destacou a obra dos padres vicentinos, apoiadores dos imigrantes. “Queria ser padre e estudar na Polônia, desde criança”. A avó mostrou-lhe o jornal Lud, estava escrito em polonês, e ela leu para o garoto que estavam oferecendo estudos na Polônia. E ele se preparou e foi.

De volta à Polônia


Muitos descendentes de poloneses já conseguiram fazer o caminho de volta à terra de seus antepassados. Evaldo Drabeski aprendeu o polonês em casa, depois foi estudar e tornou-se professor da língua. Um dia a esposa Ozilda comprou uma grande mala, e disse: “Esta é para você ir à Polônia”. Hoje ele organiza viagens em grupo para lá.

O casal Cida Müller Wodziani e André Wodziani viajaram com Drabeski em 2010. “Eu me senti em casa”, afirmou Cida, “dava impressão que estávamos em SMS”. A terapeuta Daiana Kozelinski é outra sãomateuense que ficou 17 dias na Polônia. “Os poloneses eram muito prontos”, diz. “Ficavam felizes em nos receber”.


Mesmo viajando virtualmente, Eduardo Wieczorkoski – o Édio, ex-presidente da Braspol, emociona-se ao relatar sua comunicação com uma prima na Polônia pela internet, via câmera digital. “Ela nunca imaginava que a língua ainda estava preservada”. A mãe dela está com 91 anos, e ansiosa para conhecer o sobrinho. “Isso dá mais ânimo de viver!”

“Este é descendente do quê? Polaco, polonês, pronto, acabou!”, diz Francisco Caminski. “Os poloneses no Brasil realizaram o sonho de seus antepassados.”

Participantes


A reunião foi conduzida pela escritora Audrey Lilian de Souza Farah, diretora da Arte Editora, e contou com a participação de importantes representantes da cultura de São Mateus do Sul, entre eles: José Carlos Janowski, representando o CEPOM; Francisco José Caminski, Rotary Club SMS; Bruno Cechinatto, pela Fundação Cultural de SMS; Romualdo Budzinski (Cíntio); Írio Janoski, Grupo Folclórico Karolinka; Sandro Zimny Vitonski; Ludenilson R. Santos, Grupo Karolinka; Daiana Kozelinski; Carlos Karpinski, Rádio Difusora do Xisto; Eduardo Wieczorkoski; Terezinha Wieczorkoski; Evaldo Drabeski, EJD Turismo; Simone Toporowicz; Adelaide Kotrich, Grupo Terceira Idade; Ana Márcia Kotrich, escritora; Cassilda Müller Wodiani e equipe de apoio da ACIASMS; Padre Anderson Spegiorin, Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Rio Claro, Mallet.

Serviço: Ainda há chance de relatar sua história, de sua instituição e de sua família para a obra São Mateus do Sul 100 Anos. Sim! Entre logo em contato com a Arte Editora www.arteeditora.com.br Fones (41) 3332-6067 e (42) 9903-8841.